Antônia Zulma Diniz Dumont                           Ângela | Antônia | Demóstenes | Marilu | Martha | Sávia

“A nossa mãe, a partir de quem o grupo começou, é uma bordadeira clássica que desde muito jovem faz suas artes entre os afazeres domésticos como o cuidado com as suas crianças, o rol de roupas,a arrumação da casa. Seguindo modelos de panos de amostra, com pontos já definidos, como tantas bordadeiras ela foi ao longo do tempo bordando enxovais e pespontando novas possibilidades. Estimulou a todos os filhos a descobrir as luzes, os movimentos, as formas, as cores e matizes do cerrado, o que permitiu um jeito especial de convívio com a natureza e consequentemente um outro olhar sobre a arte. Para a arte de bordar trouxe uma estética própria onde o direito e avesso formam inusitados desenhos, que surpreendem o preconceito e desarmam a formalidade. Essa é uma forma de arquitetura espontânea, uma forma de estética não traduzida pela linguagem convencional e veio conferir atualidade à arte milenar praticada anonimamente pelas mulheres em sua vida doméstica.” (Dumont,Marilu,2000). Foi o que levou Maristela Tristão, crítico de arte, a afirmar:
- “ O emocional , de grande força na obra, está contido não só no acerto do belo conteúdo plástico-visual, mas também e principalmente no fato do trabalho ser realizado em família – mãe e filhos - , habitantes do mesmo “universo mítico”, puxando os fios da meada”.

Os trabalhos de Antônia Zulma, preservam as características dos bordados antigos,e como mencionado por Ana L.G.de Melo:
as palas e barrados de vestidos com narrativas de histórias infantis, nesgas, viróis, roupas para recém-nascidos, toalhas de mesa, com desenhos de borboletas, pássaros, medalhões, ramalhetes, conforme a destinação. Resultam de riscos sem fronteiras, clássicos, transmitidos anonimamente, a ocupar mãos de mulheres que trabalham com linhas, cores e agulhas para passar o tempo, aumentar a renda familiar, dar uma demonstração de carinho, preservar uma tradição milenar e engendrar a arte doméstica de bordar o enxoval do filho que vai nascer, da filha que vai casar, da amiga que faz aniversário.”...

Artista plástica,bordadeira,arte-educadora nata,durante anos ensinou bordado a “moças casadoiras”, que no alpendre da sua casa bem ali, prepararam os seus enxovais de noivas. Hoje com 77 anos, Antônia continua generosamente seu ofício de perpetuar o bordado, transferindo beleza, realizando junto com suas duas gerações (filhas e netas) oficinas de bordados em todo o país. Este trabalho é realizado por meio do Instituto de Promoção Cultural Antônia Diniz Dumont-ICAD, junto a comunidades carentes com o objetivo de registrar o bordado como expressão criativa e possibilitar sustentabilidade econômica por meio do bordado.

Antônia oferece, além de telas bordadas, e continua a elaborar cuidadosamente peças utilitárias como toalhas de mesa, jogos americanos, vestidos infantis. antonia.dumont@terra.com.br


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